quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Hope.






Can you remember when was the last time that you had sure about something?
- No, I can't...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Contínuo.



E seguimos cansados,
com fome e sede de amor,
de paz, de vida, de cor.
Na chuva e na falta,
Ouvindo ruídos calados,
De ódio, de medo, e dor.
E continua e tenta e briga,
Fazendo o nada valer tudo,
E o tudo valer nada.
E continua a brilhar,
No céu, na terra e na chuva.
E continuamos cansados,
Sem forças, sem sonhos,
sem tudo.

sábado, 29 de outubro de 2011

Recuperação

Já sinto o início da cicatrização.
Já sinto o coração mais leve,
Mais calmo e livre da aflição.

Não, não é “já”.
Seria se tivesse sido efêmero.
Não foi.
Talvez o “enfim”
rime mais com a situação.

Seja como for,
Em breve haverá espaço
Para abrigar muito mais amor.
Para muito mais sentir,
Para muito mais calor.

Talvez falte a coragem,
de mergulhar e me atirar
em tanta intensidade e doçura.
Mas, tenho procurado evitar
verbos tão impulsivos,
como medida de precaução
contra hematomas e tristeza pura.

domingo, 11 de setembro de 2011

this is not fair.

- Tem vezes que as coisas na vida são e devem ser milimetricamente calculadas. E quando assim são, baby, não dá pra trocar o certo pelo incerto, correndo o risco de ver todo o esforço esvaindo-se em pelo chão imundo...Desculpe-me por falar assim, por estar jogando as palavras, mas você não pode entender, e acho melhor...

Ele não continuou e o silencio permaneceu.

- Eu não tenho culpa, você tampouco, ninguém tem. É só que...

- a gente não se completa?

- é, talvez seja isso. Ou talvez os nossos caminhos sejam simplesmente opostos.

- caminhos?

Ela nunca entendia. E não seria agora que ele iria explicar. Faltava paciência e amor também.

- Sabe, às vezes, a gente tem que olhar o passado de uma forma bonita, para não estragar o que aconteceu, e pra não colecionar rancor no coração. A história foi bonita, mas precisa de um ponto final. E precisamos ser maduros o suficiente para pô-lo, ao invés de ficar tentando reconstruir uma história que já aconteceu.

- mas é que dói...

- eu sei o quanto. Eu também sinto, mas vai ser melhor assim.

Nem tudo foi dito, e também não precisava. ela não o entenderia, e passado precisava de um fim.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Metamorfose

Como um daqueles bixos que passam por vários estágios durante a vida;
Como alguém que decidiu bater a mão forte, e quebrar regras, todas;
Com a alma de um revolucionário que sempre existiu;
Com a sede daquele que vagou dias no deserto.
Com a dor do fracasso,
Com a esperança da mudança.
Com sangue nos olhos,
E força nos punhos.
Com a coragem que vai surgir,
De algum canto do corpo,
E vai fazer possível a mudança de idéia se esta tiver que ocorrer.
Não mais me importa,
O latim, a ciência, a estatística, a fisiologia, não importa.
Ceticismo e sentir.cismo são  o lema da vez.
Esta tudo mudando...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

pausa.

06:37 - Café preto. Sentada de frente pra janela, do 13º andar, contemplando o amanhecer. Tinha ido dormir tarde, mas acordara com disposição. Tinha acordado no horário, tomado banho e preparado as coisas, e a essa hora, já deveria estar no ônibus...mas decidiu parar e contemplar o amanhecer como alguém que não tivesse compromissos para aquele dia. Estava bem, mas sem reação. Olhando fixamente para o horizonte preenchido por prédios e prédios,e ao fundo, nuvens que se afastavam do alaranjado que surgia magicamente.
Aproveitava com deleite, o fato de saber que tinha obrigações a fazer, e não as faria. Afinal, quem é que se importa com as obrigações?!


De vez em quando a vida pede pausa, e a mente reflexão.


Ultimo gole. pensamento instântaneo: eu vou fazer dar certo.


07:38 - Um barulho. a porta batia, sinalizando que alguém estava bem atrasado. é, era hora de voltar.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O que não era verdade, e nunca seria.

Não é possível que sejamos novos escravos desse sistema alienador. Não é possível que eu estivesse construindo um castelo de areia, como tantos que vi desabar. Não é possível...

Foi quando eu descobri que nunca fizera história, e era só parte dela, que eu relutei;
Foi quando eu descobri que minhas forças eram finitas, que eu chorei;
Foi quando me colocaram frente a um espelho e eu não pude me ver, que eu desabei;
Foi quando finalmente me fizeram mais uma...que me tranquei.
Sem argumentos para contestação, eu me tranquei e quis sumir pra sempre.
Quis queimar os livros e silenciar as canções...
Quis calar os falantes,
Quis apagar o sol,
Quis ouvir o silêncio.
Quis fazer o impossível, para desacreditar que ele estava acontecendo.

Tentei dormir, para acordar logo e ver que tudo não passara de um terrível pesadelo, mas não consegui.
E quando disseram que era verdade, e que era o fim, eu já não tinha força o suficiente para derramar a ultima lágrima.
Eu já não era nada vendo todo meu suor e todo meu amor, esvaindo-se no ar.

Ouvi gritos abafados de crianças e de pobres sem voz...e nada pude fazer, ou, nada fiz
Ví minha vida torcida e esquecida num canto escuro, sem esperança, sem poesia, sem mim.
Observei felicidade insana, e não a senti.
E por estar sempre alheia a todos, senti-me afinal, a sós comigo.
Numa solidão obscura que não queria ter sentido. Não mesmo.

Mas eu ainda mantinha dentro de mim o sentimento de benevolência, e orava pra que ao menos isso pudesse me salvar.
Orava para que minhas próprias mãos, e meu próprio coração fossem o instrumento de paz a muitos seres.
Pedia humildemente, para que a sintonia entre mim e o mundo fosse possível, e como eu lutava para acreditar nisso...

Tentei acreditar nas palavras, na verdade, nas pessoas, e não consegui.
Tentei  desacreditar que meu castelo era mesmo de areia...

Rendi-me enfim, a verdade alheia, porque já não tinha forças para manter uma própria! Talvez fosse mais saudável parar de querer inventar...

Tiraram-me a voz e o sorriso. Seguindo passos já marcados no chão, eu já não era eu, e já não era ameaça ao carnaval de idiotas, enfim. Acorrentada a ordem e as regras, sem sonhos ou ilusões, eu não passava de um punhado de órgãos que circundava um espaço triste e limitado.
Guardava ainda um pouco de esperanças, e um dia, de tanto andar em círculos, escapuliria pela tangente, e inventaria novamente. E construiria castelos e mais castelos, de areia ou não, mas certamente de verdades, das minhas próprias verdades!